Dicas Nutri – Cartão Alimentação

Teve um dia difícil e descontrolou na comida? Confira algumas dicas para evitar essas situações.

Confessa! Ao menos uma vez na vida você já chegou em casa desejando desabar sobre uma pilha de doces, pães, salgados, chocolates, sem saber o motivo exatamente!? Ou, quando se deu conta, já havia ingerindo uma grande quantidade de alimentos, sem perceber, e isso além de causar mau estar gerou em você um grande “peso na consciência”? Tudo bem, isso é mais comum do que parece, e tem solução.

A compulsão alimentar é caracterizada pelo consumo descontrolado de alimentos altamente calóricos, mesmo não havendo fome fisiológica, e vem seguida de sentimentos melancólicos e depressivos. Isso se dá pela vontade de comer algo e/ou algum alimento específico. Isso pode atingir homens e mulheres e seu início poderá acontecer na infância, adolescência ou ainda na fase adulta.

Vamos entender melhor o que é fome (fisiológica) e vontade de comer.

O mecanismo da fome envolve vários sistemas, como o neuroendócrino e o sistema nervoso central. Por definição, fome é a necessidade de comer, causada pelas contrações do estômago vazio. Nesta situação, não pensamos no que comer, mas sim em consumir o quanto antes. Vontade de comer nos leva a desejar alimentos específicos ou que muitas vezes acabamos de ver na vitrine de uma loja, mesmo após uma grande refeição. Nesta situação, a vontade de comer nos leva a ingerir um alimento que nos remete a conforto, calma, satisfação e sensação de bem-estar. Isso ocorre por estarmos felizes ou tristes, como uma forma de compensação – recompensa. Essa sensação de bem-estar não dura muito tempo, levando a outros episódios de compulsão alimentar. Isso se torna um círculo vicioso de que realmente é difícil de sair, pois a cada garfada você alimentará o vício adquirido.

O estímulo à compulsão pode envolver vários fatores e pode ocorrer devido ao consumo excessivo de um determinado alimento, longos períodos sem comer, depressão, ansiedade e dietas restritivas. A dependência de determinados alimentos tem relação com a liberação de substâncias chamadas de dopamina, serotonina e endorfina, responsáveis pela sensação de bem-estar, que comentamos acima. Este é um mecanismo que pode explicar o fato do humor melhorar quando consumimos determinados alimentos.

Mas afinal, como isso acontece no organismo?

Alimentos fontes de carboidrato refinado, como pães, bolos, biscoitos e gorduras hidrogenadas, ativam a mesma área do cérebro que drogas como a cocaína e a heroína ativam, de acordo com estudos científicos. Ou seja, o efeito viciante que as drogas causam ao organismo é semelhante ao efeito que as drogas alimentares causam ao nosso corpo. Há uma superativação de áreas cerebrais, por isso é tão difícil controlar alguns impulsos.

E o que eu faço para controlar isso? Preste atenção ao funcionamento do intestino, ele precisa estar “em dia”!

O intestino tem um papel fundamental nesse processo, pois nele acontece a maior produção de serotonina, aquele neurotransmissor responsável pela sensação de felicidade, já discutido aqui. E para que esta produção aconteça, é preciso consumir alimentos que forneçam vitaminas do complexo B, minerais e aminoácidos como:

oleaginosas (avelã, amêndoas, noz), leguminosas (lentilha, grão-de-bico, ervilhas), pinhão, arroz integral, milho, banana e abacate.

O consumo regular faz com que a produção aconteça de forma contínua. Portanto, tome bastante água, prefira a versão integral dos alimentos e quando possível, inclua ao menos uma porção dos alimentos citados. Técnicas de relaxamento e acupuntura também podem auxiliar, então procure um profissional responsável pela área para ajudar a escolher a melhor estratégia para você.

E, lembre-se, toda e qualquer indicação de alimentos e/ou preparações deve ser precedida de avaliação, por isso procure seu nutricionista, ele vai orientar você.

Fabiane Almeida | Nutricionista CRN 8 6363

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